Nesta nossa profissão, independente de todas as qualidades exigidas para as demais, há uma necessidade maior e insubstituível: ter talento.

Ao longo de muitos textos, aulas e palestras sobre marketing direto – em que tantas regras foram estabelecidas pelo simples registro do que deu certo e do que deu errado no planejamento e na comunicação – sempre tive o cuidado de dizer que nada daquilo seria verdadeiro se não houver talento de parte do executor.

Na Expo Management , na semana que vem, vou ser o moderador da palestra da Roberta Rivelino, a principal executiva no Brasil da The Talent Business, a mais eficiente e “talentosa” empresa do mundo para identificar talentos para milhares de agências de comunicação em todos os continentes.

Tenho tido o privilégio de conviver com algumas das pessoas mais talentosas desta nossa atividade. E se hoje sou bem considerado nesta profissão só pude obter esta classificação por ter tido a felicidade de contar com um alto percentual de talentos na maioria dos projetos de que participei.

Mas, como conseguir reunir talentos se este é um dom que nasce com as pessoas? Este para mim é o maior desafio das agências de comunicação.

Você pode adorar os musicais da Broadway, ou as habilidades de bailarinos fazendo sapateados no Riverdance, ou simplesmente alguém dedilhando um violão. Mas se você não tiver talento para cantar, dançar ou tocar violão jamais vai poder imitar os seus ídolos.

Claro que todos podem aprender a cantar, a dançar ou a tocar violão. Nos que não têm talento será obtida uma repetição mecânica de fórmulas incapaz de encantar a alguém, e em especial, nem à própria pessoa.

Quem tem um talento e não o usa, está desperdiçando o milagre da vida que recebeu quando teve sucesso a fecundação de um óvulo de sua mãe pelo espermatozoide de seu pai.

Há muita discussão se o talento verdadeiro aparece de qualquer maneira ou se consistentemente em nosso mundo de imensa maioria de pessoas sem talento, para a grande desvantagem da humanidade, os talentos são sufocados antes que se tornem indomáveis.

O Glauber Rocha, em seu processo criativo acelerado, sem inibições intelectuais de qualquer espécie,  disse um dia que A arte não é só talento, mas, sobretudo coragem“.

O talento é uma doação de alguém a outra pessoa ou a um grupo.Sempre a sua manifestação se constitui num risco para o doador.

Saul Steinberg, o grande filósofo do cartoon, criou um em que um homem e uma mulher falavam e o que diziam aparecia em balões acima de suas cabeças. Não havia textos. O que havia eram traços retos num deles e linhas curvas no outro. Estes traços têm mil usos para ilustrar as barreiras da comunicação entre pessoas e, além disto, para mim dramatizam melhor do que tudo o problema do talento ser reconhecido.

Não vem ao caso se o talento sai da boca do homem ou se sai da senhora..

Quem tiver a posição de mando no diálogo vai reduzir a fala do outro ao seu próprio formato e ela será tão pouco talentosa quanto a arte a duras penas aprendida nas escolas por quem não tem talento…

Daí a minha mais enfática recomendação para os profissionais de comunicação e marketing – para alguns dos quais dou aulas na ESPM – que não ”partam do princípio” em relação a coisa alguma em nossa especialidade.

Quem parte do princípio não abre espaços para reconhecer o talento, para a novidade, para as ousadias que dão todo sentido à vida.

O que não pode, ou não deve, ocorrer no ambiente de agências é uma crítica tão decidida a novas ideias que a pessoa de talento decida desistir de levá-las adiante.

Duas perdas podem ocorrer neste caso: o talentoso concluir que não tem talento para competir com os seus pares e covardemente desistir, fugindo à recomendação do Glauber.

A outra perda, não atinge tanto a pessoa com talento. Atrapalha um pouco a sua vida, durante um tempinho. Nesta segunda hipótese, com a coragem mencionada pelo Glauber Rocha, a pessoa de talento muda de grupo, muda de agência, muda de vida.

A agência perde muito mais, pois este negócio vive de encontrar, administrar e incentivar o talento. Quando perde algum talento por não reconhecê-lo gera-se uma situação mais dramática do que a de um prédio sendo demolido por um bombardeio.

É como se o prédio subitamente virasse gelatina. Deixando de ser um prédio. Assim como a agência que não reconhece os seus talentos deixa de ser agência.

Não é de se estranhar que haja tanta necessidade do trabalho de uma The Talent Business e que seja tão importante saber o que a Roberta tem para nos contar.