Estive hoje no Wave Festival com o Pio e assistimos a palestra do Dave Rolfe, VP e diretor de produção integrada, e do Maurício Alarcon, Diretor de Criação,  ambos da Crispin Porter+Bogusky, sobre o case do Burger King.  Eles contaram um pouco da história que eles estão construindo para a rede de fast food nos Estados Unidos e em outros países da Europa, como Espanha, Reino Unido e Alemanha.
A Crispin Porter+Bogusky foi uma das primeiras agências a romper com o padrão americano de advertising, criou campanhas memoráveis para a Coca-Cola e vem crescendo muito nos últimos anos, respondendo agora por marcas como Nike, Microsoft, Volkswagen e Domino´s.
A irreverência, o humor e acima de tudo a imersão em ícones da cultura popular fazem das campanhas do Burger King um misto de experimento social, conteúdo e propaganda. Segundo Dave Rolfe (americano) e Maurício Alarcon (equatoriano), a equipe de criativos trabalha com o foco em desenvolver uma grande idéia e só depois avalia a melhor mídia para executá-la. Pode ser TV, Internet, games, impressos ou tudo junto.  Eles estão mais preocupados com a repercussão desta idéia nestas mídias de maneira espontânea por quem for atingido – o tal buzz marketing com marketing viral. Eles produzem verdadeiros documentários com uma linguagem super parecida com os vídeos caseiros do Youtube.
Como na campanha Freakout (http://br.youtube.com/watch?v=mMOPj6-4nDU), que fez um sucesso estrondoso nos Estados Unidos, ao simular a retirada do Whooper (principal sanduíche da rede) do cardápio do Burger King. O Whooper é um ícone do fast food americano e  pensando nisso o time criativo da CP+B escondeu uma câmera em uma das lanchonetes da rede em Las Vegas e filmou a reação dos consumidores ao serem avisados no momento da compra sobre o desaparecimento do sanduíche… As imagens são hilárias e renderam visitas no Youbube de mais de um milhão de pessoas em poucos dias…
Desde o início eles pensaram em criar um experimento social, muito mais do que uma campanha, que iria naturalmente ser veiculada em várias mídias, em especial a web. Perguntado se essa campanha poderia ser replicada em outros países, Maurício Alarcon que responde pelas campanhas na Espanha, foi taxativo:  “não teria dado certo, é preciso encontrar o ícone em cada cultura, na Espanha teria dado certo se fosse o desaparecimento das Tapas e no Brasil se fosse o da feijoada”…
Chamar a atenção do consumidor através do inusitado e criando identificação. Por isso, a opção por usar personagens em várias das campanhas. Pode ser o Rei (King) representando o Burger King e aparecendo em situações super divertidas com as pessoas, pode ser o Homer Simpson em uma ousada campanha misturando animação e conteúdo (http://br.youtube.com/watch?v=thBb3TREALI&feature=related) ou com vários frangos conversando que querem ser batatas-fritas…  Ou pode ser através do pioneirismo com a campanha do King Games, uma parceria com a Microsoft que rendeu o lançamento do game Sneak King no Xbox (http://br.youtube.com/watch?v=t_Ckhz-rzvw) e ainda  o principal prêmio em Cannes, o Titatium, uma exposição da marca maior do que se eles tivessem veiculado treze vezes no Superbowl (final do campeonato de futebol americano) e recorde de vendas nas lanchonetes…
O pessoal da CP+B acredita num novo modelo de idéias para comunicar uma marca.  Tudo possível por conta de um relacionamento muito aberto com o cliente que dá liberdade para a agência ousar e inovar…A o contrário do que normalmente acontece, muitas vezes é o pessoal do Burger King que estimula a CP+B a fazer mais e mais ousado…Com concorrentes fortes e um McDonald´s pela frente, a turma do Burger King precisa chamar atenção.  Não foi à toa que eles foram eleitos este ano por uma publicação especializada na Espanha como a marca mais transgressora do paíspela sua inovação e quebra de paradigmas…